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15:55
A MAEZINHAA terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem misséis.
Corria
branda a noite e a vida era serena.
Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023
mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra
idade
à que vai do berço até à puberdade.
28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que
nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do
extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de fiilhos…
(De resto,
as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser
consideradas
nestas considerações.)
Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por
temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se
inclinavam para o casamento.
Além destas meninas
havia, salvo erro,
32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás
das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.
Dessas
havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro
além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maio sossego, às horas em
que entrava e saía do
emprego.
Dessas 9 excelentes raprigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.
A que sobeja
chama-se
Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.
(Romulo Vasco da Gama de Carvalho)



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20:28